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“EUA impuseram terremoto político e econômico ao Haiti”

In 1 on 27/01/2010 by entreporcosemundos

Em entrevista a Amy Goodman, do Democracy Now!, o jornalista do Haiti Liberte, Kim Ives, critica a presença de soldados norte-americanos no país devastado pelo terremoto. Ele lembra que, antes mesmo da tragédia do último dia 12, o Haiti já havia sido vítima de outro sismo, mas político e econômico, provocado pelos EUA há 24 anos. Para ele, melhor que enviar tropas, seria buscar o presidente exilado Jean Bertrand Aristide. “Criaria um contra-terremoto de esperança e orgulho popular”.

Leia abaixo a entrevista:

Democracy Now!: Esta catástrofe é um acidente natural?

Kim Ives: Não, de imediato. De fato, este terremoto foi antecipado por um terremoto político e econômico cujo epicentro está a 2000 milhas ao norte, em Washington (EUA), há pelo menos 24 anos. Podemos falar, em primeiro lugar, dos dois golpes de Estado perpetrados num período de 13 anos, com apoio dos EUA, que impôs regimes títeres que os haitianos expulsaram do poder.

Mas estes golpes de Estado e as ocupações militares posteriores por forças estrangeiras (o que é proibido pela Constituição haitiana) foram destrutivas não só para o governo e a soberania nacional, mas também para os governos e assembleias legislativas locais, as prefeituras e as assembleias eleitorais locais encarregadas de eleger um conselho eleitoral permanente.

Nunca se constituiu este conselho eleitoral permanente, que só existe de forma provisória e por isso (o presidente René) Préval, logo antes do terremoto, havia feito caso omisso da democracia popular, impondo seu próprio conselho eleitoral, o qual assegurava o domínio de seu partido.

Democracy Now!:  Para deixar claro, quando você fala dos golpes de 1991 e 2004, é preciso dizer que ambos levaram à derrubada e ao exílio do presidente Jean-Bertrand Aristide.

Kim Ives: É correto.

Democracy Now!: E você fala da participação dos EUA nesses golpes.

Kim Ives: Assim é. Em ambos os casos as forças armadas dos EUA tiraram Aristide do Haiti. A primeira vez foi desterrado em Washington, e na segunda terminou na África do Sul, onde passou os últimos seis anos

Estes terremotos políticos impostos por Washington vieram acompanhados de terremotos econômicos - as políticas econômicas que impuseram depois de expulsar a Aristide, que havia manifestado uma orientação nacionalista para construir a auto-suficiência nacional do Haiti. Os EUA não aceitavam, queriam que se privatizassem as nove indústrias estatais, que seriam vendidas a investidores norte-americanos e estrangeiros.

Há uns doze anos, sob a primeira administração de René Préval, foram privatizadas a Minoterie d’Haiti e a Ciment d’Haiti, as empresas estatais produtoras de farinha de trigo e cimento. A respeito do trigo, agora temos uma população faminta. Pode-se imaginar as possibilidades se o Estado tivesse um moinho robusto, capaz de produzir farinha.

O povo teria pão para comer. A empresa foi vendida para uma multinacional da qual Henry Kissinger faz parte do conselho diretor. E ponto, a empresa foi fechada. E agora o Haiti não tem um moinho de trigo, nem estatal nem privado.

Democracy Now!:  Onde o Haiti consegue seu trigo? É o país mais pobre do hemisfério.

Kim Ives: Precisa importá-lo; uma boa parte bem dos EUA. O outro caso, mais irônico, é a fábrica de cimento. Trata-se de um país cujos fundamentos geológicos consistem, sobretudo, no calcáreo, que é o insumo básico do cimento. É um país que deveria e poderia ter uma empresa produtora de cimento, e a teve, mas foi privatizada e também fechada.

Começaram aproveitando as bases daquela que foi a empresa do cimento para importar cimento. Assim, quando se viaja pelo país e se vê milhares de edifícios de cimento destruídos, pode-se lembrar que serão necessárias milhões de toneladas de cimento, e agora será necessário importar todo esse cimento em vez de produzi-lo. O Haiti bem poderia e deveria exportar cimento e não importá-lo.

Democracy Now!: Um dos problemas mais dolorosos, para os haitianos no exterior é que não têm como saber sobre seus familiares no Haiti. Não podem se comunicar com eles.

Kim Ives: Assim é.

Democracy Now!: E isso nos leva ao tema da empresa telefônica.

Kim Ives: Exato. A Teleco foi a sepultura das empresas estatais no Haiti. Durante o primeiro golpe de Estado, de 1991-1994, as rendas da Teleco mantiveram o governo exilado do Presidente Aristide. E agora vemos que, uma semana antes do terremoto, esta companhia havia sido privatizada. Foi vendida a uma companhia vietnamita, a Viettel.

Se o Haiti tivesse uma empresa nacional de telefonia forte e dinâmica teria sido evitada uma grande parte dos problemas de comunicações que existem. Mas, ao contrário, todas as comunicações do país estão praticamente em mãos de três companhias privadas de celulares: Digicel, Voila y Haitel.

Democracy Now!:  Mas pode-se argumentar que a empresa foi privatizada no começo deste ano porque, por culpa dos seus donos anteriores, era ineficiente

Kim Ives: Foi precisamente o que ocorreu. O governo haitiano, sob a liderança de Préval e seus ministros, sabotou e sucateou a empresa. Falo sobre isso durante estes anos. Lembro-me que há 13 anos trouxe para cá uma delegação para falar com os sindicalistas. Faz muito tempo que luto contra a privatização.

Falei com um sindicalista da Teleco, Jean Mabou, um dirigente sindical. E ele me mostrou um quarto cheio de equipamentos de telecomunicações novos e modernos. E disse: “temos estes equipamentos, mas não permitem que sejam instalados. Estão sucateando a companhia estatal para privatizá-la”. A ironia é que temos o lobo tomando conta do rebanho. Dessa maneira se mina a propriedade do povo em suas próprias empresas estatais.

Democracy Now!: Por desgraça, o mundo só presta atenção quando ocorrem catástrofes, e agora a atenção do mundo esta focada no Haiti. Você pode fazer um resumo da história haitiana desde 1804?

Kim Ives: Sim, breve. Em 1804, houve a  primeira e última revolução escrava vitoriosa da história, a primeira república negra do mundo, a primeira nação independente da América Latina, que se converteu em pedra angular de todas as outras revoluções. Mas precisou esperar 60 anos até que o governo de Abraham Lincoln a reconhecesse, depois da Guerra Civil nos EUA.

Depois, em 1915, os marines norte-americanos invadiram o país e se apoderaram do banco central e do governo. Passaram-se 19 anos até 1934; depois instalaram a Garde d’Haiti, a Guarda do Haiti, que funcionou como um braço dos marines para proteger os interesses dos EUA no país. A ocupação levou, em 1957, à ditadura de François “Papa Doc” Duvalier que, quando morreu (em 1971), delegou seu título de presidente vitalício a seu filho, Jean-Claude Duvalier.

Democracy Now!: Qual é o papel dos EUA nessa história?

Kim Ives: Os EUA sempre apoiaram a todos estes governos por razões geopolíticas. O Haiti se constituiu no principal baluarte contra o “expansionismo comunista” procedente da vizinha Cuba. Por isso os EUA sustentaram e apoiaram militar e economicamente aos regimes Duvalier, apesar da oposição do povo haitiano.

Democracy Now!: Uma cleptocracia? Os ditadores se enriqueceram à custa do empobrecimento do povo?

Kim Ives: Exato. E, depois de 1986 [quando o regime dos Duvalier foi deposto por uma insurreição popular], os EUA se deram conta de que esse modelo estava criando demasiados “Che Guevaras”, demasiadas revoluções, na América Latina, e optaram por estas eleições de fachada para instalar dirigentes presumidamente mais democráticos, mas eram eleições compradas.

O Haiti foi o primeiro país da América Latina que derrotou o esquema eleitoral promovido pelos EUA, ao eleger para a presidência um padre pobre, Jean Bertrand Aristide. Quando tomou posse, em 7 de fevereiro de 1991, Aristide declarou a segunda independência do Haiti, porque o país queria tornar-se independente do domínio dos EUA e da França.

Estes responderam oito meses depois com um golpe de Estado, e o mandaram para o exílio. E assim começou o terremoto político e econômico com epicentro em Washington e Paris, há 24 anos. Assim foi dado o primeiro golpe contra Aristide. Ele foi mantido no exílio por três anos. Foi durante a administração de George H.W. Bush, mas continuou na administração de Bill Clinton.

A propósito, um dos compromissos principais de Aristide ao chegar à presidência foi aumentar o salário mínimo. Na segunda vez em que Aristide foi eleito, em 2004, foi seqüestrado quase de imediato pelas Forças Armadas e de espionagem dos EUA, enviado a uma república centro-africana, onde ficou praticamente preso.

Maxine Waters, congressista de Los Angeles, e Randall Robinson, fundador da organização TransÁfrica, recolheram Aristide na República Centro; de lá foram para a Jamaica e, depois, para a África do Sul, onde ele reside atualmente. Não pode voltar ao Haiti devido à pressão dos EUA. Autoridades da época, como Colin Powell e Condoleezza Rice, afirmaram que Aristide não podia sequer voltar ao hemisfério norte.

No exílio, na África do Sul, o presidente Aristide declarou que quer voltar ao Haiti, e tenho manifestado essa inquietação a várias pessoas no Haiti. Em Washington, o presidente Obama designou imediatamente aos presidentes Clinton e Bush para dirigir o esforço humanitário, afirmando que suas medidas não são partidárias.

Democracy Now!:  Então já surge a inquietação a respeito do retorno de Aristide. Os EUA controlam o aeroporto. O presidente Préval cedeu o controle sobre o aeroporto aos EUA. Mas Aristide pediu para regressar. Qual sua opinião da imagem – para não falar dos recursos – dos dois presidentes afirmando que o desastre diminui a diferenças políticas e que é preciso reconstruir o país?

Kim Ives: Bem, é um ponto exato. Ontem estive em frente ao hospital geral, onde vi os horrores, falando com uma multidão na esquina, e surgiu esse mesmo ponto. Porque o presidente Aristide não pode voltar? Ele quer. Assim o disse. Mas o governo não renovou seu passaporte diplomático, que já venceu. Não foi dado a ele um salvo-conduto para voltar ao país.

Se o governo de Barack Obama ou qualquer outro realmente estiver disposto a tomar esta medida – talvez melhor do que todos os C-130 com seus carregamentos, não só de alimentos e ajuda médica, mas também de fuzis -, poderiam mandar um avião à África do Sul buscar Aristide. Seria um gesto que criaria uma onda expansiva, um contra-terremoto de esperança e orgulho popular, que poderia restituir a força moral que o povo precisa para superar esta crise.

Democracy Now!: Para terminar – quem tem o poder aqui? Como o povo está organizado? Nesse aspecto, se coloca constantemente o tema da segurança para justificar que a ajuda fique apenas na área do aeroporto.

Kim Ives: Este é o centro da questão. A segurança é um pretexto. Vemos em todas as partes do Haiti que a população se organiza em comitês populares para limpar, tirar os cadáveres dos escombros, construir acampamentos de refugiados, estabelecer segurança para esse acampamentos. Esta é uma população que é auto-suficiente, e tem sido já faz muitos anos.

Mas não podem sê-lo quando chega um grupo de marines com suas M-16 e começam a gritar com eles. O cenário defronte ao hospitala geral ontem dizia tudo. As pessoas entravam e saiam do hospital para levar comida aos seus ou porque precisavam de assistência, e um grupo de soldados da brigada 82 aerotransportada, colocados em frente ao hospital, gritava em inglês para a multidão. Não sabiam o que faziam, e aumentavam o caos ao invés de diminuí-lo. Teria sido cômico se não fosse trágico.

Não tinham que estar ali. Claro, se houvesse um exército de bandoleiros atacando o povo – o que não é o caso aqui – talvez precisassem trazer esses soldados. Mas agora o povo não precisa de marines, precisa de medicamentos. Esta situação resume o essencial. É o mesmo que fizeram após o furacão Katrina. São as vítimas que dão medo a eles; são “outros”, são os negros que levaram a cabo a única revolução escrava vitoriosa na história. Quem pode inspirar mais pavor a eles?

Democracy Now!: E as organizações comunitárias que existem por aqui?

Kim Ives: Ah, sim, As organizações comunitárias. Eu as vi, numa outra noite, na comunidade de Mattheew 25, onde estava hospedado. Um carregamento de alimentos chegou durante a noite sem aviso prévio. Podia ter ocorrido uma batalha campal. Entretanto, comunicou-se com a organização popular local, Pity Drop, que imediatamente mobilizou seus militantes.

Eles organizaram o local e sua cordão de segurança. Formaram uma fila com as 600 pessoas acampadas no campo de futebol atrás da casa, que também é um hospital, e repartiram a comida de forma ordeira e eqüitativa. Foram completamente capazes. Não precisam dos marines. Não precisam da ONU. Não precisam de nenhuma dessas coisas que a mídia, Hillary Clinton e as autoridades estrangeiras nos asseguram que precisam. Essas são coisas que o povo haitiano pode fazer por si mesmo e esta fazendo para si mesmo.

Fonte: Democracy Now!
Tradução: José Carlos Ruy

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EFICIÊNCIA TUCANA DE JOSÉ SERRA: INAUGURA HOMENAGEM PÓSTUMA ANTES DA MISSA DE SÉTIMO DIA DA MÉDICA SANITARISTA ZILDA ARNS « Educação Política

In 1 on 21/01/2010 by entreporcosemundos Etiquetado: , , ,

José Serra: triste eficiência

O governador José Serra  se superou.  Em menos uma semana após o falecimento da médica sanitarista Zilda Arns, o governador José Serra conseguiu inaugurar um parque em homenagem à médica. É de uma eficiência (ou seria deficiência) pública inacreditável.

Veja só a eficiência urutucana: dia 12 o terremoto, dia 13 a notícia de que Zilda Arns teria morrido, dia 14 a confirmação da morte da médica e dia 16 a inauguração do parque. Antes portanto da missa de sétimo dia!

Isso não dá nem para chamar de oportunismo político. Isso é falta de noção mesmo.

Zilda Arns merece com certeza muitas homenagens por tudo que fez pelo Brasil e pelas crianças, mas o mais importante ainda é permitir que o trabalho feito por ela não se dissipe com a desigualdade social ou pela falta de educação básica, enchentes, viroses e condições de moradia sujeitas a incêndio como nas favelas de São Paulo.

Já pensou se essa eficiência urutucana fosse para melhorar as condições de vida da população? O PSDB não perderia uma eleição e nem precisaria gastar milhões do povo com propaganda na mídia.

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Conta bancária no Brasil vai ajudar Haiti

In 1 on 21/01/2010 by entreporcosemundos Etiquetado: , , , , , , , , ,

Caixa Econômica Federal cria conta para PNUD obter doações; dinheiro será destinado a dois órgãos da ONU com operações em Porto Príncipe

UN Photo/Logan Abassi
Dados para depósito
Agência 0647, operação 003, conta 3600-1, em nome do PNUD-Haiti
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Os brasileiros que quiserem ajudar as cerca de 3 milhões de pessoas afetadas pelo terremoto no Haiti podem fazer depósito em uma conta da Caixa Econômica Federal. A conta foi aberta em nome do PNUD, e os recursos serão destinados ao PMA (Programa Mundial de Alimentos) e ao Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários, que estão entre as agências da ONU diretamente envolvidas com as iniciativas de resgate no país caribenho.

Os dados para doação são: agência 0647, operação 003, conta 3600-1, em nome do PNUD-Haiti. Não há valor mínimo nem máximo para os depósitos.

A iniciativa foi capitaneada pela presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, e pelo representante-residente interino do PNUD Brasil, Eduardo Gutierrez. A ajuda pode ser feita em qualquer agência do banco ou via internet.

A sede internacional do PNUD fez um pedido de US$ 35,6 milhões, necessários para ajudar na recuperação de curto prazo, após o terremoto que atingiu a região da capital do Haiti, Porto Príncipe, na terça-feira (12 de janeiro). Os recursos serão usados em ações de urgência como limpeza dos escombros e melhoria das infraestrutura social essencial (como reparação de ruas e da rede elétrica, para facilitar a assistência). Além disso, o PNUD também vai implantar um programa para dar trabalho remunerado em Porto Príncipe, como forma de impulsionar a economia local.

O pedido do PNUD faz parte de uma demanda maior da ONU, de US$ 562 milhões, para apoiar as tarefas de salvamento e reconstrução. Atualmente, cerca de 40 equipes — somando quase 1.800 pessoas e 160 cães — estão trabalhando nessas ações. Mesmo cinco dias após o terremoto, cerca de 70 pessoas foram encontradas com vida sob os escombros, um recorde em operações desse tipo, segundo das Nações Unidas.

“A ONU está trabalhando estreitamente com os governos do mundo todo para dar conta das necessidades humanitárias imediatas e coordenar os esforços de curto prazo com os objetivos de desenvolvimento de longo prazo”, afirmou a administradora internacional do PNUD, Helen Clark. “O Haiti vai precisar de um apoio enorme para se recuperar desse terrível desastre”, acrescentou.

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Lula receberá prêmio inédito de Estadista Global – Estadao.com.br

In 1, Brasil on 21/01/2010 by entreporcosemundos Etiquetado: , , ,

Prêmio tem o objetivo de destacar um líder político que tenha usado o mandato para melhorar o mundo

Daniela Milanese, da Agência Estado

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LONDRES - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá o prêmio de Estadista Global do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), no dia 29. Esta é a primeira edição da homenagem, criada para marcar o aniversário de 40 anos do Fórum.

Conforme a organização do evento, o prêmio tem o objetivo de destacar um líder político que tenha usado o mandato para melhorar a situação do mundo. “O presidente do Brasil tem demonstrado verdadeiro compromisso com todas as áreas da sociedade”, disse o fundador e presidente do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, em nota à Agência Estado.

Segundo ele, esse compromisso tem seguido de mãos dadas com o objetivo de integrar crescimento econômico e justiça social. “O presidente Lula é um exemplo a ser seguido para a liderança global.”

A entrega do prêmio será feita pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e está prevista para às 11h30 (horário local; 8h30 de Brasília) do dia 29, quando o presidente brasileiro fará um discurso. Em seguida, terá início um painel de discussão sobre o Brasil. O objetivo é debater os atuais condutores do crescimento do País e os desafios à frente.

Entre os participantes do painel estarão o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o copresidente do conselho de administração da Brasil Foods, Luiz Fernando Furlan, o presidente do Instituto Ethos, Ricardo Young e o vice-presidente do argentino Banco Hipotecario, Mario Blejer. Lula também fará o encerramento do painel sobre o Brasil.

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Eduardo Galeano: O racismo e o assédio contra o Haiti

In Brasil on 19/01/2010 by entreporcosemundos Etiquetado: , ,

do site: www.vermelho.org.br

A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou.

Por Eduardo Galeano, em resistir.info

Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca ideia de querer um país menos injusto.

O voto e o veto

Para apagar as pegadas da participação estado-unidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder. O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito nem sequer com um voto.

Mais do que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe:
– Recite a lição. E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido.

O álibi demográfico

Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Port-au-Prince, qual é o problema:
– Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.

E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilómetro quadrado.

Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado… de artistas.

Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro.

A tradição racista

Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objectivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem “uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização”. Um dos responsáveis da invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: “Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses”.

O Haiti fora a pérola da coroa, a colónia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: “O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro”.

Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino.

Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: “Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos”. Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro “pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras”.

A humilhação imperdoável

Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos haviam conquistado antes a sua independência, mas tinha meio milhão de escravos a trabalhar nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.

A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém lhe comprava, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia.

O delito da dignidade

Nem sequer Simón Bolíver, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar havia podido reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti.

O governo haitiano havia-lhe entregue sete naves e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma ideia que não havia ocorrido ao Libertador. Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra.

Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um génio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pénis.

Por essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indemnização gigantesca, a modo de perdão por haver cometido o delito da dignidade.

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.

Fonte: resistir.info

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A nova locomotiva do Brasil: Pernambuco | Conversa Afiada

In Brasil on 19/01/2010 by entreporcosemundos Etiquetado:

A nova locomotiva do Brasil: Pernambuco

do site: www.paulohenriqueamorim.com.br

19/janeiro/2010 8:23

Quando São Paulo acordar, perdeu o trem

Quando São Paulo acordar, perdeu o trem

Anotações de uma viagem a Petrolina, em Pernambuco.

Neste último fim de semana, foram vendidos – no fim de semana – 450 apartamentos de R$ 70 mil, em 15 prédios diferentes, para compradores com renda entre 3 e 6 salários mínimos.

Amanhã, ainda em Petrolina, haverá um outro lançamento, com 500 unidades.

Os dois, dentro do programa Mina Casa, Minha Vida, da Caixa.

Segundo Alex Jenner Norat, superintendente regional da Caixa em Pernambuco, o programa Minha Casa, Minha Vida aplicará R$ 34 bilhões para resolver apenas 14% do déficit habitacional do país.

Ou seja, ainda há muita casa popular a ser construída.

(Só para fazer uma comparação: a única obra parecida do governo do Farol de Alexandria, um Programa Habitacional de Interesse Social, tinha R$ 300 milhões para aplicar. Uma pequena diferença.)

Em 2006, havia 1.600 alunos matriculados em escolas técnicas do Estado de Pernambuco.

A construção civil cresce 20% ao ano em Pernambuco.

O comércio, 10%.

A indústria, 6%.

Este ano, serão 16.000 novas matrículas.

Uma simples mudança no ICMS permitiu que, este ano, sejam gerados 18.000 empregos na indústria do call center.

No Complexo Portuário de Suape foram gerados 15 mil empregos.

O estaleiro Atlântico Sul abriu 9 mil vagas.

Há 96 empresas em operação em Suape.

Em Suape será criado um polo petroquímico, com especialização em fibras têxteis.

Em Suape, haverá um pólo para prover equipamentos e serviços para a indústria do gás e petróleo off-shore.

10 mil pernambucanos trabalham na transposição do rio São Francisco.

A próxima etapa da construção da refinaria Abreu e Lima, uma sociedade da Petrobrás com Hugo Chávez, vai precisar de 12 mil empregos adicionais.

A ferrovia Transnordestina terá a extensão de 1.730 quilômetros e ligará os Estados do Ceará, de Pernambuco e do Piauí.

Vai exigir investimentos de R$ 5,4 bilhões.

A ferrovia fará a ligação dos centros de produção de grãos (Piauí), gesso (Pernambuco), avicultura e agricultura irrigada do semi-árido nordestino, aos portos de Suape em Pernambuco, e Pecém no Ceará.

Deverá criar 7 mil empregos diretos.

A fruticultura irrigada de Petrolina – da uva sem caroço e da manga sem fibra – produz mais de um milhão de toneladas por ano.

Em Pernambuco é onde, hoje, no Brasil, o crédito cresce mais rápido.

Em um ano, a carteira, segundo o Banco Central, cresceu em Pernambuco 65%.

Em segundo lugar, no Rio, com um aumento de 38%.

São Paulo ficou abaixo da média: 14%.

Aí, você chega de volta a São Paulo.

Um engarrafamento na Marginal às 5H30 da manhã.

Abre o jornal Agora (o único que presta em São Paulo), pág A-4, e lê:  “Protesto no Jardim Romano – aquele bairro da Zona Leste que há 40 dias está alagado com esgoto – impede obra em rua – moradores dizem temer que casas sejam ainda mais afetadas com suposto rebaixamento de via.”

Lê na Folha (*), pág. A8, que o Zé Alagão vai redesenhar sua campanha publicitária.

Em lugar de “São Paulo trabalhando por você”, o novo slogan será “Um Estado cada vez melhor”.

Ele pensa que engana.

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos,  reconheceu um filho; que avacalha o Presidente Lula por causa de um comercial de TV; que publica artigo sórdido de ex-militante do PT; e que é o que é,  porque o dono é o que é ; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

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MOÇÃO DE APOIO AO PROGRAMA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS III

In Brasil on 15/01/2010 by entreporcosemundos Etiquetado:

CONADE Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência

MOÇÃO DE APOIO AO PROGRAMA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS III

O Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Conade, órgão colegiado, de caráter deliberativo, responsável pelo acompanhamento e avaliação do desenvolvimento das políticas públicas para inclusão das pessoas com deficiência e das políticas setoriais de educação, saúde, trabalho, assistência social, transporte, cultura, turismo, desporto, lazer, política pública urbana, todas dirigidas para este segmento da sociedade, vem publicamente externar seu APOIO ao Programa Nacional de Direitos Humanos III do Governo Federal.

O PNDH – III é resultado de uma ampla participação social por meio de consultas onde os diferentes segmentos da sociedade brasileira, incluindo o das pessoas com deficiencia, tiveram a oportunidade de colaborar com a sua construção em diferentes fóruns democráticos. Destaca-se que essa revisão e atualização do PNDH se deu por meio de legítimos espaços de participação e controle social, o que envolveu principalmente os Conselhos de Direitos e as Conferências - Nacionais, Estaduais e Municipais - realizadas em todo o país. Negar a legitimidade desse processo é se contrapor a uma efetiva política de participação e controle social.

Trata-se de uma Política de Estado e não de Governo. Nesse sentido, respeita o Pacto Federativo e as respectivas competências dos diferentes Poderes da República, sugerindo plataformas de atuação pautadas nos direitos humanos universalmente constituídos e pelo Brasil adotados formalmente por meio de tratados internacionais dos quais o Estado é Parte, por iniciativas do Poder Executivo, ratificadas pelo Legislativo e garantidas pelo Judiciário. São, pois, demandas sociais advindas da base do nosso Estado Democrático de Direito que conquistaram amparo legal desde a Constituição Federal de 1988 até hoje, por meio de lutas importantes e históricas que devem ser sempre visibilizadas e valorizadas. Por isso, o Programa aborda tantas questões essenciais para o verdadeiro e genuíno avanço da sociedade brasileira rumo à efetivação de uma democracia de fato e de direito.

A reafirmação e a prática dos direitos humanos – considerando ainda o caráter universal, interdependente e indivisível que os fundamenta – é imprescindível para fortalecer e consolidar a democracia no Brasil, devendo ser observadas em todos os campos. Tendo em vista as críticas desmedidas e infundadas que o PNDH-III tem recebido, conclamamos os Conselhos de Direitos e de Políticas Públicas, as entidades de defesa de direitos, os movimentos sociais e toda a sociedade civil a se manifestar e a se juntar ao Conade em defesa dos direitos humanos em nosso país, apoiando também o Programa Nacional dos Direitos Humanos III e aderindo ao abaixo assinado disponível no site http://www.sigaessaideia.org.br/abaixoassinadopndh3.

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Fanatismo impiedoso e desumano – Tijolaço – O blog do Brizola Neto

In Brasil on 15/01/2010 by entreporcosemundos Etiquetado:

Fanatismo impiedoso e desumano

Pat Robertson, pregador de sucesso na TV, não teve o mínimo de respeito aos haitianos

Pat Robertson, pregador de sucesso na TV, não teve o mínimo de respeito aos sofrimentos dos haitianos

O “televangelista” Pat Roberton é um dos de maior sucesso na TV americana e, ontem, no «700 Club», do canal Christian Broadcasting Network (CBN), mostrou que é também uma das pessoas mais impiedosas do mundo. Robertson quis explicar  a tragédia no Haiti  como resultado de “um pacto com o diabo” que teriam feito,  no século 18, os escravos dos quais provém a atual população haitiana, em busca da liberdade.

-Algo aconteceu há muito tempo no Haiti e as pessoas talvez não queriam falar sobre isso. Estavam sob domínio francês, na altura de Napoleão III, juntaram-se fizeram um pacto com o diabo. Disseram: «Vamos servi-lo se nos libertar do Príncipe». É uma história verdadeira. E o diabo disse: «Ok, está combinado». E os franceses foram expulsos. Os haitianos revoltaram-se e conseguiram libertar-se. Mas, desde então, foram amaldiçoados com coisas atrás de coisas.

É de duvidar que uma pessoa que diz uma barbaridade destas pode ter sentimentos religiosos. Em que tipo de Deus perverso pode um homem assim acreditar?Nossos jornais não publicaram nada, mas a imprensa de Portugal, sim.

Os haitianos conseguiram acabar com a escravidão em 1794, quase 100 anos antes de nós. Foram invadidos pela França, tiveram seus líderes assassinados e, sob a liderança de Jacques Dessalines, venceram os franceses e proclamaram a independência. Foram ocupados por tropas americanas por 20 anos, até 1935.

Diabo, para o Haiti, só se forem as potências estrangeiras.

PS. Consegui o vídeo, em inglês, para quem quiser conferir

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Jornal da Band inventa “guerrilheiros torturadores” – Vi o Mundo – O que você nunca pôde ver na TV

In Brasil on 12/01/2010 by entreporcosemundos Etiquetado:

Jornal da Band inventa “guerrilheiros torturadores” – Vi o Mundo – O que você nunca pôde ver na TV.

Jornal da Band inventa “guerrilheiros torturadores”

Atualizado em 12 de janeiro de 2010 às 11:04 | Publicado em 11 de janeiro de 2010 às 21:27

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por Luiz Carlos Azenha (dica do leitor Marcelo Costa, de BH)

A TV Bandeirantes colocou uma “reportagem” inacreditável no ar. Assinada pelo repórter Sandro Barboza, de São Paulo, ela é mentirosa do início ao fim. Nunca vi algo assim, em quase 40 anos de carreira.

Trata de um texto como se fosse lei aprovada, deturpa completamente o conteúdo e entrevista uma única pessoa. Nem o regime militar mentiu de forma tão descarada.

A “reportagem” começa com o seguinte texto, lido por Boris Casoy:

O novo decreto de Direitos Humanos do governo federal é criticado pela sociedade e até mesmo por ministros de estado. A lei estabelece censura [Mentira 1, não existe lei que estabeleça censura, o PNDH III não propõe nada parecido com isso] aos meios de comunicação, atenta contra o direito de propriedade [Mentira 2, não existe lei, o PNDH III não propõe nada parecido com isso] e ainda liberdade religiosa [Mentira 3, não existe lei, o PNDH não propõe nada parecido com isso]. Especialistas [Mentira, a emissora ouviu um único, advogado tributarista] consideram o projeto o primeiro passo para um regime ditatorial.

Narração do repórter:

A nova lei [Mentira 4, não é lei, é um Programa que não cria leis, que só podem ser criadas pelo Congresso] que o presidente Lula assinou sem ler [Mentira 5, Lula nunca disse que não leu] passou pelo crivo direto da ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, virtual candidata do PT à presidência da República, dos ministro da Justiça Tarso Genro, da Comunicação Franklin Martins e dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi [Mentira 6, o PNDH não "passou pelo crivo", mas foi assinado por todos os ministros do governo Lula].

É um emaranhado de artigos e parágrafos que muitas vezes ataca a Constituição [Mentira 7, não se trata de uma lei, que só o Congresso pode aprovar, mas de um Programa com metas e nenhuma delas ataca a Constituição].

Repórter aparece na tela:

O decreto provocou duras críticas da sociedade e uma reação dentro do próprio governo. Para os especialistas, se for aprovada da maneira como está a lei será o mais duro golpe contra a democracia desde o fim da ditadura militar [Mentira 8, trata-se da continuação de um programa de governo, que vem desde 1996, no primeiro governo FHC, as propostas do PNDH III são apenas isso, propostas, não são leis].

Narração:

Ives Gandra Martins é um dos mais conceituados juristas internacionais. Ele é autor de mais de 300 livros sobre Direito, sozinho ou com outros autores, com obras publicadas em 19 países. Ao analisar o novo decreto, ele ficou impressionado.

“É um dos documentos com as maiores sandices que eu tive oportunidade de ver nos meus 50 anos de advocacia e nos meus 49 anos de magistério de Direito”.

Catedrático por 31 universidades no Brasil, na América do Sul e Europa, Ives analisou vários itens do novo decreto.

O projeto prevê que o proprietário rural que tiver uma fazenda invadida não poderá mais recorrer ao Judiciário.

“O que eles tão pretendendo é dar direito àquele que invadir qualquer terra fazer com que uma vez que for invadido o direito de propriedade deixa de ser do proprietário, passa a ser do invasor”. [Mentira 9, não há nada nesse sentido no PNDH III - que, aliás, é um resumo de propostas, não propõe entregar terras a invasores ou coisa do gênero].

A lei quer evitar a divulgação de símbolos religiosos.
[Mentira 10, não se trata de lei, nem o PNDH "busca evitar divulgação de símbolos religiosos", trata do uso de símbolos religiosos em instalações públicas, já que o estado brasileiro é laico e os símbolos representam religiões específicas].

“Se não pode mais haver símbolos religiosos nós temos que mudar o nome da cidade de São Paulo e todas as cidades que tem nomes de santos não poderão mais ter”. [Mentira 11, completo absurdo!!!]

Será criada uma comissão para controlar o conteúdo dos meios de comunicação. [Mentira 12, não existe comissão, nem o PNDH III cria nada desse gênero]

“No  momento em que se elimina a liberdade de imprensa nós estamos perante efetivamente o início de uma ditadura”. [Mentira 13, não há nada disso no PNDH III]

Um novo imposto sobre grandes fortunas seria instituído. [Mentira 14, o PNDH III não institui nada, não tem poder legal, não cria leis]

“É um imposto que afasta investimentos porque aquele que formou um patrimônio depois é tributado em todas as operações e ainda vai ser tributado no seu patrimônio pessoal”.

As prostitutas contariam com direitos trabalhistas e carteira assinada. [Mentira 15, o PNDH III não dá carteira de trabalho a ninguém, é um apanhado de ideias a serem ou não adotadas pela sociedade brasileira, dependem para isso de aprovação, uma a uma, no Congresso, através de leis]

“Isso não é profissão. Na prática o verdadeiro Direitos Humanos é tirar essas moças de onde elas estão e dar profissões dignas a elas”.

Os responsáveis pela tortura durante a ditadura militar seriam julgados [Mentira 16, a comissão da Verdade será criada, se for, por um grupo de trabalho. O objetivo dela seria esclarecer a tortura e os desaparecimentos no regime militar. Ela seria criada por um projeto de lei que tem de passar pelo Congresso. Ninguém sabe ainda qual o poder e o alcance dessa comissão] Já os guerrilheiros que também torturaram ficariam livres de qualquer punição. [Mentiras 17 e 18, não existem guerrilheiros torturadores e se ele se refere a gente da esquerda que combateu o regime militar, quase todos já foram punidos].

“Torturador de esquerda é um santo. Torturador de direita é um demônio. É um decreto preparatório para um regime ditatorial” [Mentira 19, é completamente falso e absurdo].

Mentira 20: A Bandeirantes não explicou aos telespectadores que o PNDH III é continuação de outros dois, o PNDH I e PNDH II, ambos do governo de Fernando Henrique Cardoso; não explicou que os objetivos do PNDH III foram amplamente debatidos pela sociedade civil; não explicou que estamos falando de meras propostas, sinalizações, sugestões sem poder de lei, que qualquer lei no Brasil tem que ser aprovada no Congresso — e que, portanto, o PNDH III é uma “carta de intenções” da sociedade brasileira em relação aos Direitos Humanos.

Duvida? Veja aqui

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